domingo, 23 de maio de 2010

Características gêneros

Gêneros Textuais

Conhecendo um pouco mais


Canção

Os gêneros textuais poema e canção são bastante semelhantes. Ambos têm como objetivo fazer da língua o instrumento artístico capaz de tocar a sensibilidade do destinatário. São similares também quanto ao formato, pois são constituídos de versos, agrupados em estrofes e se caracterizam pelo ritmo. 
Assim, ambos os gêneros textuais (poema e canção) trabalham com recursos expressivos, com a linguagem poética, apóiam-se em métrica fixa ou não, em rimas regulares ou não, mas têm no ritmo a sua marca essencial e visam a causar prazer estético. 
No caso da canção, a combinação harmoniosa dos sons dos instrumentos é acrescida da musicalidade das palavras. É no ritmo que a canção se distingue um pouco mais do poema, pois está estreitamente vinculada ao ato de cantar. O ritmo é muito ligado à música, aos instrumentos, aos arranjos etc. Muitas vezes, a nossa leitura "muda” quando ouvimos a música da canção que analisamos em sala de aula. 
Há canções populares ou folclóricas (dentre elas, a cantiga de ninar ou acalanto e as cantigas de roda, e outras vertentes de canções populares originárias do samba, por exemplo); há também as canções chamadas de eruditas (essa distinção entre o popular e o erudito deve ser considerada apenas do ponto de vista do fazer poético, para que não haja desvalorização de uma em relação à outra).
Sempre que possível, devemos trabalhar as letras das canções ouvindo e/ou cantando a música com os alunos, evitando assim estudá-las de maneira incompleta. Quando trabalhamos com letras de canções em sala de aula, devemos mostrar aos alunos que a canção tem ainda a parte musical, que contribui para o(s) sentido(s) do texto. 


Conto 

A arte de contar histórias, de narrar é muito antiga. Desde o tempo das cavernas, os homens relatavam fatos da vida diária por meio de desenhos. Hoje, esses desenhos são fontes importantes para conhecermos a história dos povos antigos.  
Antes mesmo de haver língua escrita, as experiências da comunidade ou do indivíduo passavam de geração em geração oralmente. Até hoje, nas comunidades indígenas, os velhos contam às crianças as histórias do seu povo. Eles transmitem ensinamentos e suas tradições contando histórias.
Entre os textos de base narrativa, encontram-se alguns gêneros textuais como conto, fábula, história em quadrinho e lenda, que serão estudados neste volume.
O conto é um  gênero textual constituído de uma sucessão cronológica de ações de personagens. Tem por finalidade contar uma história que conduz a uma conclusão. 
Como outros textos de base narrativa, o conto apresenta alguns elementos característicos: enredo (seqüência de acontecimentos colocados em ordem); personagens (representados por pessoas, animais, coisas) ; narrador (quem conta a história); espaço e tempo (a ação se passa em determinado lugar e em um período de tempo).
Geralmente, os contos infantis são marcados pela presença da magia e da aventura. Antes mesmo da atividade de leitura, o leitor já cria um pacto com este gênero textual, pressupondo que irá entrar em contato com uma história de “faz de  conta”, um mundo em que realidade e fantasia têm contornos pouco nítidos.


Fábula

As fábulas são pequenas histórias de base narrativa que transmitem uma lição de moral. Os personagens das fábulas são geralmente animais, que representam tipos humanos, como o egoísta, o ingênuo, o espertalhão, o vaidoso, o mentiroso.
Esse gênero textual é uma das mais antigas formas de narrativa. Muitos escritores dedicaram-se às fábulas, mas três ficaram mundialmente famosos: o grego Esopo (século VI a.C.), o latino Fedro (15 a.C. - 50 d.C.) e o francês Jean de La Fontaine (1621 - 1695).
No Brasil, Monteiro Lobato (século XX) foi quem as recriou. Millôr Fernandes é um escritor carioca que recriou as antigas fábulas de Esopo e La Fontaine, de forma satírica e engraçada.
Geralmente, a fábula se divide em 2 partes: 1ª parte - a história (o que aconteceu) e a 2ª parte - a moral (o significado da história).
A origem da fábula perde-se na antiguidade mais remota, mas os gregos citavam Esopo como fundador do gênero.


História em quadrinhos 

As histórias em quadrinhos são consideradas textos literários de entretenimento. Esse gênero textual é utilizado para contar histórias com a ajuda de imagens, o que facilita a compreensão do leitor. Em geral, é formado de uma seqüência de imagens verbais e não-verbais combinadas, ou apenas de imagens visuais.
Em quadrinhos compostos apenas da linguagem visual, caberá ao leitor o papel de interpretar a história, atribuindo às imagens as palavras que estão ausentes, ou que o autor deixou implícitas.
Os quadrinhos apresentam os elementos básicos de uma narrativa – enredo, personagens, tempo, lugar e desfecho. Os balões de formas e tipos variados servem de suporte para os diálogos dos personagens ou para que eles mostrem suas idéias. O emprego de recursos expressivos como onomatopéias, letras de tipos diferentes e sinais de pontuação é freqüente nas histórias em quadrinhos.
Outro aspecto a ser observado é que a seqüência dos fatos apresentados é estabelecida pela seqüência dos quadros – cada quadrinho relata uma parte da história.
É importante que o leitor esteja atento aos gestos, à expressão da face e do corpo dos personagens retratados nas histórias em quadrinhos, porque, junto à linguagem verbal, conferem vigor e coerência ao texto. 


Poema

Os gêneros textuais poema e canção têm como objetivo fazer da língua o instrumento artístico capaz de tocar a sensibilidade do destinatário. São similares no formato, pois se constituem de versos agrupados em estrofes e se caracterizam pelo ritmo. 
Assim, ambos os gêneros textuais (poema e canção) trabalham com recursos expressivos da linguagem poética, apóiam-se em métrica fixa ou não, em rimas regulares ou não, mas têm no ritmo a sua marca essencial, têm modos de organização do  discurso parecidos e visam a causar prazer estético, atraindo e seduzindo seu leitor ou ouvinte .


Notícia

A notícia é um gênero textual que encontramos nos jornais, nas revistas, na imprensa de modo geral. Esse gênero se caracteriza por ser o relato de fatos ou acontecimentos atuais, de importância e interesse para a comunidade.
Os autores procuram dar às notícias títulos chamativos para atrair a atenção dos leitores. Logo abaixo do título, costuma aparecer uma frase que resume as principais informações do fato relatado – essa frase contribui para ajudar o leitor a tomar a decisão de ler (ou não) o detalhamento.
A notícia subentende a existência de um fato, de um acontecimento ou de uma situação social que envolve um canal de comunicação (imprensa falada ou escrita: rádio, televisão, jornal, revista, internet etc.), um emissor (quem escreve ou lê a notícia) e os receptores (ouvintes, telespectadores, leitores) interessados naquele fato.
Em geral, as notícias não apresentam comentários pessoais, opinião ou interpretação por parte de quem escreve. Porém, nas notícias destinadas ao público infantil, o autor costuma explicitar o seu ponto de vista.


Lenda

Lendas são narrativas acerca de seres maravilhosos e encantatórios, passadas em certo tempo e lugar, com pessoas, animais ou seres sobrenaturais. São crendices que fazem parte do imaginário popular, freqüentemente explicando fenômenos da natureza. Muita gente diz que lendas são apenas frutos da imaginação popular. Em muitos povos, porém, são os livros na memória dos mais sábios. 
A origem de uma lenda pode ser um fato acontecido que se transforma pela imaginação popular.
Muitas vezes, com o passar do tempo, a narrativa verdadeira vai sendo deixada de lado e fica apenas a história imaginada.
As lendas fazem parte da nossa vida, pois desde cedo estamos acostumados a ouvir, ler e contar histórias que vêm desde muito cedo povoando a imaginação de nossos pais, avós, bisavós e outros antepassados muito antes deles. Essas histórias vão se modificando de uma região para outra, mas permanece a mistura do real e o fantástico.
Como outros textos de base narrativa, a lenda apresenta alguns elementos característicos: enredo (seqüência de acontecimentos colocados em ordem); personagens (representados por pessoas, animais, coisas); narrador (quem conta a história); espaço e tempo (a ação se passa em determinado lugar e em um período de tempo).


Roteiro de experiência 

Roteiros de experiência e receitas fazem parte do nosso dia-a-dia. São textos que nos auxiliam a entender como realizar uma tarefa, por exemplo: jogar, cozinhar, cuidar de plantas ou de animais, tomar um remédio, montar um brinquedo, consertar um motor ou acionar uma máquina no trabalho. Estes textos são as receitas de bolo, os manuais de eletrodomésticos, as bulas de remédios etc.
As receitas e os roteiros de experiência geralmente apresentam uma estrutura mais ou menos fixa: a primeira parte traz a lista do material que será utilizado; a segunda parte compreende a seqüência de ações que serão desenvolvidas. Nessa segunda parte, é comum que as instruções sejam dadas com verbos na forma imperativa: “encaixe a peça x na lateral da peça y” ou na forma infinitiva: “administrar a dose indicada duas vezes ao dia”. Isso ajuda a realização da tarefa passo a passo.
Para que o objetivo proposto pelo texto seja atingido, é importante lembrar que, tanto no roteiro de experiência quanto na receita, cada etapa do procedimento deve ser seguida na ordem em que é apresentada.
Outro item relevante é a linguagem utilizada. Ela deve ser clara e objetiva, com palavras em sentido único, para que não fique dúvida a respeito da maneira como se deve proceder. 


Receita

Da mesma forma que o roteiro de experiência, a receita é um texto que faz parte de nosso cotidiano. A receita também apresenta duas partes na construção do texto: na primeira, listam-se os ingredientes e as quantidades expressas em xícaras, colheres (café, sobremesa, sopa), gramas, pitadas; na segunda, explica-se como preparar o prato. Algumas receitas ainda apresentam informações adicionais: grau de dificuldade, tempo de preparo, número de porções, calorias, ou, ainda, sugestões sobre o modo de servir ou de decorar o prato.
Também na receita os verbos são utilizados no modo imperativo e em uma seqüência que deve ser seguida para que a tarefa seja corretamente realizada. Algumas receitas trazem os verbos no infinitivo, em lugar do imperativo, mas com a mesma função: transmitir uma ordem, uma sugestão, um conselho etc.
Outra característica das receitas é o uso de linguagem clara e objetiva, pois não podem acontecer equívocos na hora de preparar um prato. Assim, as palavras utilizadas devem ter sentido único para evitar ambigüidades.


Artigo de Divulgação Científica

Artigo de divulgação científica  é um texto expositivo que desenvolve um tema científico de forma acessível ao leitor leigo. Ao se produzir um texto desse gênero,  tem-se como objetivo levar ao conhecimento das pessoas as recentes descobertas científicas ou, num enfoque mais pedagógico, informar os conhecimentos necessários ao desenvolvimento educacional do aluno e despertar sua curiosidade científica. Por essa razão, combina características próprias do texto didático às dos textos jornalísticos.
A linguagem, nesses textos, é objetiva e se caracteriza pelo emprego de palavras com um sentido único, para evitar ambigüidade. Além disso, muitas palavras fazem parte de um vocabulário técnico, específico à área do conhecimento pesquisada.
Os textos do gênero  artigo divulgação científica são geralmente publicados em revistas especializadas, destinadas a crianças ou adultos que se interessam por pesquisas sobre diferentes temas: história dos povos, descobertas genéticas, formação do universo, origem das línguas, entre outras. No entanto, estes textos podem ser encontrados em jornais de grande circulação.

O trabalho de produção textual deve ser encaminhado de acordo com determinados requisitos contextuais, evidenciando para o aluno que todo texto é produzido em um determinado contexto, ou seja, é destinado a um receptor, em um determinado tempo e lugar.
Resumindo, o trabalho com cada texto compreenderá as seguintes etapas: elaboração da ficha técnica, pré-leitura, leitura, estudo de aspectos relevantes da língua em uso presentes no texto e proposta de produção textual. 
Ficha técnica do texto:  É a primeira etapa do trabalho do professor na preparação da sua aula. Deve ser elaborada para servir de base à abordagem do texto e ao encaminhamento das atividades de leitura, produção e língua em uso. 
Pré-leitura:  É uma atividade que deve ser desenvolvida pelo professor, junto a seus alunos, antes da leitura propriamente dita. O professor deve explorar pedagogicamente o conhecimento de mundo dos alunos para que eles possam estabelecer relação entre o conteúdo do texto a ser lido e a sua vivência, com vista a ampliar a compreensão.
Leitura: O processo de leitura deve partir do reconhecimento do gênero textual e do modo de organização do discurso predominante.  O desenvolvimento dessas habilidades envolve várias etapas: a compreensão do título, a identificação do tema, o estudo detalhado de cada parágrafo e/ou de cada estrofe e sua progressão temática. Para aprofundamento da leitura, devem ser especialmente destacados aspectos do texto que exigem a realização de inferências e dedução de informações implícitas.  
Produção textual:  A proposta de  atividades  de  produção  textual  deve  levar  em  conta  os  seguintes aspectos: a determinação do gênero textual em função do contexto de produção, a escolha de um tema relacionado com a atividade de leitura, a utilização de recursos lingüísticos próprios aos modos de organização do discurso envolvidos na construção do texto. 
Usos  lingüísticos: O professor deve explorar as questões gramaticais relacionadas aos gêneros textuais e aos modos de organização do discurso, como instrumento de melhor compreensão e produção de textos. Esses conhecimentos envolvem os vários níveis da organização lingüística utilizados na produção e na compreensão de enunciados: conhecimentos de vocabulário, da semântica do texto, de aspectos morfológicos relevantes (por exemplo, do sistema de formação de palavras), da morfossintaxe.


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